sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

EUA forçam Google a ceder dados de hacker


Governo entrou com ação para que empresa revelasse informações de ativista ligado ao Wikileaks e ao Tor


Jacob Applebaum teve seus e-mails dos últimos dois anos revelados. FOTO: DIVULGAÇÃO
SÃO PAULO – O governo dos Estados Unidos está pressionando o Google e o provedor Sonic.net para que eles revelem informações confidenciais do e-mail de um ativista ligado ao Wikileaks e ao software de anonimato na rede Tor, o norte-americano Jacob Appelbaum. Representantes do governo federal dos EUA entraram com uma ação que exigia que as empresas revelassem os contatos estabelecidos por ele nos últimos dois anos.




As empresas dizem que combateram o pedido do governo e que isso custou muito caro, mas que no final perderam e tiveram que revelar dados pessoais do hacker, que já é investigado há tempos pelos EUA e já foi  quase impedido de pousar de avião no país por causa de sua ligação com o grupo de Julian Assange.


A lei pode ser usada para conseguir detalhes de e-mails e celulares (inclusive dados de localização) sem que o governo federal tenha que provar que tem motivos criminais para querê-los. O processo se apoia em uma lei de 1986, o Electronic Communications Privacy Act (Ato sobre a privacidade em comunicações eletrônicas), que permite que o governo possa secretamente obter informações de e-mails e celulares pessoais sem um mandado de busca.


Um grupo que inclui Google, Microsoft e a AT&T está fazendo lobby para que a lei seja atualizada para o meio digital, criando empecilhos para os governos obterem os dados. Já ativistas ligados aos movimentos pró-transparência consideram a lei inconstitucional.


A internet profunda. Além de trabalhar em parceria com o Wikileaks, Appelbaum também é conhecido como a cara pública do Tor Project, organização sem fins lucrativos que criou um pacote de softwares que possibilitam que se navegue na rede de forma mais anônima e se acesse a chamada deep web, ou internet profunda, que agrega sites com endereços quase indecifráveis e que não são alcançados pelo algoritmo do Google.


Como o Tor nasceu inicialmente como um projeto de monitoramento da Marinha norte-americana e seus programadores ainda são ligados às forças armadas, Applebaum é quem costuma falar por eles e pela causa do projeto – a garantia do anonimato na internet e sua consolidação como um direito de todos.


Mas o governo norte-americano não parece estar muito feliz com isso, principalmente por causa da crescente influência dessa rede de contatos na organização de protestos como os do Occupy Wall Street, que desde 17 de setembro reúne milhares de manifestantes na frente do prédio da bolsa de valores e que começa a espalhar sua mensagem para o resto do país.


Agências de inteligência já admitem vigiar o Anonymous de perto, enquanto mais de 700 pessoas já foram presas no Zuccotti Park, em NY.

Nota:

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